Cozinha também transforma!

Cozinha também transforma!

Adélia Rodrigues coordena o Gastronomia Periférica, projeto que busca transformar a sociedade por meio da cozinha.

“Eu gosto mesmo é de gente, de histórias compartilhadas, de reescrever os sentidos delas”. É assim que a psicóloga e educadora Adélia Rodrigues descreve a si mesma. Decidiu estudar psicologia para focar nas questões sociais, e o trabalho educacional surgiu naturalmente; Afinal, não existe transformação sem compartilhar conhecimento.

Coordenou pedagogicamente o Centro de Juventude da Fundação Julita e a Universidade Livre da Inovação (ULI). Ademais, em 2017, fundou o As Minas, um projeto de desenvolvimento feminino com foco na figura da mulher para estimular a igualdade.

Mas qual sua relação com a gastronomia? Adélia é sócia e gestora dos projetos do Gastronomia Periférica, iniciativa criada em 2012 por Edson Leite com a finalidade de provocar transformações sociais através da gastronomia. “Nosso objetivo é chegar em periferias diversas, e não esperar que jovens e adultos venham até nós”, explica. “A cozinha é uma ótima forma de auxiliar um jovem a aprender valores, disciplina, responsabilidade, ética e cooperação, ao mesmo tempo em que pode gerar renda”, esclarece.

Em 2017, deram um passo à frente com a criação de uma escola gastronômica gratuita localizada no Capão Redondo, com o objetivo de encorajar jovens e adultos a continuarem aprendendo e viabilizar que aqueles que desejam trabalhar no ramo tenham as ferramentas necessárias. Adélia ficou responsável pelo acompanhamento e a orientação dos professores, além de lecionar a disciplina de Projeto de Vida e Desenvolvimento Humano. Por meio de aulas e atividades interativas, a educadora provoca reflexões acerca do poder que a alimentação proporciona.

Na foto, Adélia Rodrigues e Edson Leite, sócios do projeto Gastronomia Periférica, aparecem sentados em uma rampa, apoiados no corrimão. Foto: Leidyla Nascimento
Adélia Rodrigues e Edson Leite. Foto: Divulgação

O ensino vai muito além de apenas falar sobre cozinha e explicar os procedimentos de determinada receita. Pelo contrário, constrói ferramentas de conscientização sobre desperdício e aproveitamento total dos alimentos, trata da terra, das etapas da cadeia e de todas as pessoas que trabalham no processo. Além disso, são discutidas escolhas éticas e políticas e ainda debatem projetos de vida para cada um dos alunos. “O meu papel é costurar tudo isso; Pensar no desenvolvimento humano dentro desta formação”, relata.

O ano é intenso. A grade curricular oferece técnicas de cozinha, educação financeira, cozinha brasileira, empreendedorismo, sustentabilidade, etnografia da cozinha nas periferias, e projeto de vida e desenvolvimento humano. Ademais, os estudantes vivenciam estágios em hortas, cozinhas coletivas, eventos de catering e até em restaurantes. “A maior dificuldade é fazer as pessoas entenderem que a cozinha não é só empratamento”, aponta.

Adélia afirma que na periferia a evasão é um grande desafio, uma vez que muitas vezes as pessoas desistem do aprendizado por questões financeiras e falta de incentivo da família. Para tentar solucionar o problema, o projeto da Gastronomia Periférica oferece acompanhamento de todos os participantes individualmente.

Apesar de muitos desafios, a psicóloga realiza seu trabalho com responsabilidade e prazer. “A melhor parte é perceber como o alimento pode ser transformador na vida das pessoas e quanto mais elas percebem isso, mais empoderadas ficam de suas próprias histórias. E eu amo ouvir a história de cada uma delas. Seus sonhos são cozinhar e servir algo que prepararam. É [uma coisa] linda de ver”, finaliza.


Instagram: @adeliarodriguezs | @gastronomiaperiferica

Facebook: Gastronomia Periférica

Contato: gastronomiaperiferica@gmail.com | (11) 9 6314-3388 | (11) 9 3228-4560

Foto destaque de: Leidyla Nascimento

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