Nem bar, nem restaurante

Nem bar, nem restaurante

De livros de direito a preparos deliciosos, Monique Ranauro comanda o primeiro Gastrobar de Nova Iguaçu, RJ.

O Gastrobar não é nem bar, nem restaurante. Isto é, é definido como um local com uma proposta de agregar elementos sofisticados, acessíveis e contemporâneos. Um serviço que une o melhor dos dois mundos: a comida e a bebida. Em um ambiente descontraído, oferece a alta gastronomia de restaurante a preços não muito caros, típico dos bares, bem como petiscos e drinks.

A moda já existe na Europa há mais de duas décadas e, eventualmente, espalhou-se pelo mundo até chegar ao Brasil. Na cidade de Nova Iguaçu, localizada no Rio de Janeiro, o conceito foi introduzido em 2017, com a criação do Ranauretto, primeiro Gastrobar da região.

O estabelecimento é comandado pela carioca Monique Ranauro, de 33 anos. Criada em Nova Iguaçu, a 28 km da capital, seu primeiro contato com a cozinha foi com a avó, Jordelina, aos sete anos. “O cheiro do tempero me deixava apaixonada e eu sempre estava por perto dela, curiosa, perguntando tudo”, conta. Cresceu querendo ser cozinheira, sobretudo com o sonho de abrir um restaurante e uma padaria.

Todavia, formou-se em Direito pela Universidade Iguaçu, e especializou-se na área trabalhista. Nesse período, a cozinha era apenas um hobby, de tal forma que o anseio pela carreira gastronômica ficou em segundo plano, atrás da advocacia. Tudo mudou quatro anos atrás, quando Monique e seu marido, Marcos, perderam seus empregos. Se rendeu ao amor pela gastronomia e resolveu seguir a carreira de chef profissional.

Fez cursos no Instituto Gastronômico das Américas e na Le Cordon Bleu Brasil, onde pôde especializar seus conhecimentos e aprofundar-se na profissão. Recentemente, decidiu investir em seu próprio restaurante, inaugurado em Novembro de 2017.

“O Ranauretto surgiu do meu coração, é uma ideia de menina”, comenta. No início, poucos clientes entendiam a proposta do lugar, pois ainda não havia nenhum Gastrobar no município. Os primeiros meses foram marcados por um espaço vazio, à beira do fracasso. Entretanto, o amor pela profissão não deixou com que Ranauro desistisse. Eventualmente, os fregueses começaram a entender o conceito do estabelecimento, onde encontraram um cardápio saboroso e diversificado.

As refeições preparadas têm influência da Itália, com pratos típicos do país europeu, como risotos e as famosas bruschettas. Por outro lado, a chef reconhece que sua especialidade é de fato a cozinha brasileira. Os pratos trazem elementos de Minas Gerais, terra de sua avó, homenageada com combinações deliciosas e surpreendentes. O croquete de costela empanado na farofa de torresmo, o arroz negro Al Mare e o hambúrguer de frango caipira são os pratos de maior sucesso. “Aqui no Ranauretto é tudo bem brasileiro-italiano”, expõe.

Questionada sobre o machismo vivenciado durante sua trajetória, Ranauro confessa que já chegou a ouvir brutalidades. Contudo, determinada e perseverante, afirma que não se permite sofrer qualquer tipo de preconceito: “Sofri, mas respondi à altura e, honestamente, não me deixo calar. Se me fecham a porta, eu a abro na marra! Permaneço de cabeça erguida, fazendo o meu trabalho”.

Quando o assunto é criar novas receitas, a chef admite que o processo ocorre facilmente, ao passo que as ideias fluem com tranquilidade. “Costumo dizer que fui agraciada pelos meus Orixás!”, brinca. Para a elaboração dos pratos, busca referências de sua infância. Em Julho de 2019, com o objetivo de continuar divulgando o seu trabalho, Ranauro criou um canal no Youtube chamado Cozinheira é a Mãe!. Nele, a chef compartilha algumas de suas receitas preferidas e mostra o prazer que tem pela gastronomia.

O público do Ranauretto é majoritariamente formado por moradores do Rio de Janeiro. No entanto, a chef já recebeu turistas dos Estados Unidos, da Itália e França. Todos os clientes são recebidos com respeito pela profissional, que faz questão de que seu serviço esteja apropriado e a refeição, saborosa.

Atualmente, Ranauro está focada em continuar cozinhando. “Minha missão é levar amor através do alimento. Eu sempre digo que o mundo vai conhecer o meu tempero”, revela. A ideia é continuar trabalhando no restaurante, aprendendo cada vez mais e expandindo sua gastronomia para que possa, no futuro, abrir o Ranauretto no mundo todo.


Encontre:

Instagram Ranauretto: @ranauretto 

Instagram Monique Ranauro: @moniqueranauro

Facebook: Ranauretto

Localização do Shizen: Av. Dr. Mario Guimarães, 759 – Centro, Nova Iguaçu – RJ, 26255-230

Atendimento: Terça à domingo, das 19h à meia noite.


Foto destaque de: Vitor Tatagiba

Fotos dos pratos de: Monique Ranauro

Post anterior: Fusão de Culturas



4 thoughts on “Nem bar, nem restaurante”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *