A jovem pizzaiola

A jovem pizzaiola

Conheça a história de Larissa Negreiros, a primeira mulher a ocupar o cargo de forneira da rede de Pizzarias Bráz.

“Olha, filho, o tio fazendo pizza”. Uma frase comum para os pais que se aproximam dos vidros das bancadas para mostrar aos filhos os pizzaiolos preparando as tão esperadas pizzas do jantar. Similarmente a isso, na Bráz Pizzaria, a situação não é diferente.

Com uma rede composta por seis unidades na cidade de São Paulo, o estabelecimento é reconhecido não só nacional, mas também internacionalmente como uma das melhores pizzarias do mundo, em rankings dos jornais The Guardian e do italiano Corriere della Sera. Além disso, recebeu prêmios como o Água na Boca, o qual foi vencedora por cinco anos seguidos.

Apesar do grande sucesso, a qualidade das pizzas não é o único motivo pelo qual o restaurante recebe destaque. Com a cabeça baixa e os cabelos presos escondidos pela touca, Larissa Negreiros, de 22 anos, ocupa a posição de chefe de forno na unidade de Moema.

Pela falta de costume de os clientes verem uma mulher trabalhando nos fornos das pizzarias, muitas vezes acaba sendo confundida por um homem, pelo “tio fazendo pizza”. “Toda vez que me confundem, levanto a cabeça e dou um sorrisinho, para que vejam que não é um homem. Eles ficam surpresos, falam que é a primeira vez que veem uma jovem e pizzaiola e pedem desculpa”, conta.

Sua história na gastronomia começou cedo, aos treze anos, vendo e ajudando o pai, Antônio Mariano, trabalhar no negócio de família, a pizzaria Lai’s Bella, localizada em Barueri, SP. Crescendo nesse universo durante toda a infância, aprendeu o ofício na prática e “pegou o gosto na coisa”. Em 2014, porém, devido a um assalto que levou ao assassinato de Mariano, o restaurante fechou as portas, e Negreiros foi obrigada a buscar um outro lugar para trabalhar.

A fim de dar continuidade à especialidade da família, tinha vontade de seguir os passos do pai. Antes de abrir o Lai’s Bella, Mariano havia trabalhado na Pizzaria Bráz. Por esse motivo, após o assalto a jovem mandou seu currículo para o restaurante em busca de emprego. “Na época, eles não contratavam mulheres para trabalharem no forno. Cheguei para a entrevista e a gerente me falou que a única vaga era para atendimento. Eu disse que não queria e fui embora”, afirma.

No entanto, Negreiros destacou-se no processo seletivo e conquistou a atenção dos donos. Apesar de não aceitarem mulheres no forno, foi chamada para fazer um teste, pois a equipe queria contratá-la. “Gostaram do meu trabalho e estou lá até hoje”, declara.

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Assumiu um posto part-time, durante três dias da semana. Inesperadamente, com apenas dois meses no ofício, foi promovida à função de forneira na unidade de Perdizes, aos dezoito anos. Na época, a jovem era a única pizzaiola da rede, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo. “Eu trabalhava com um monte de marmanjo. Meu maior medo era não ter a aceitação, do preconceito, mas graças a Deus eu fui bem acolhida”, reconhece.

Atualmente, Negreiros é chefe de forno do delivery da unidade de Moema da Bráz. No fim de semana, a jovem pizzaiola despacha uma média de 250 pizzas por dia, e conta com a ajuda de uma equipe de sete pessoas.

Depois que entrou na pizzaria, a contratação de mulheres para o cargo de forneira eventualmente aumentou. Hoje, a rede possui em torno de dez meninas, que certamente quebram com os antigos rótulos. Afinal, não é só homem que sabe colocar a mão na massa.


Instagram: @brazpizzaria ; @larynegreiros

Outras mulheres para conhecer: Mulheres na Coquetelaria e A gastronomia da brasa.

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Criadora e redatora do Mulheres na Gastronomia! Sou estudante do terceiro ano de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Embora não tenha muito sucesso em minhas experiências dentro da cozinha, tenho uma paixão imensa por saborear os melhores pratos e contar histórias. Então, nada melhor do que juntar essas paixões em um mesmo lugar, trazendo pautas diferentes e interessantes, sempre com muita diversidade e diálogo.



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